quinta-feira, 15 de março de 2012

Saiba

A decifração de uma vida passa por um corpo
Joaquim Manuel Magalhães

terça-feira, 13 de março de 2012

Artes do corpo

Yuka Yamaguchi

As artes do corpo, por exemplo, podem experimentar esse outro modo, esse algo que mina a conservação, pois fazem ver que há qualquer coisa de corrosivo nessa mistura, que há algo que nega a permanência, mas que também recusa a simples “evolução”; algo foge e faz fugir, mas que não tem direção definida nem ponto de chegada; algo que se furta às definições cabais, mas do qual não se pode negar a existência. A arte – quando exerce a sua potência de criação – nos põe frente a esse caos-composto, ou compositor: caos-germe.

É a descoberta de novos possíveis. Ou ainda, limiares. Pois as artes nos dão pistas das zonas limítrofes, das bordas. No caso das artes do corpo, elas podem indicar pontos de encontro e de desencontro entre pensamento e corpo, e dessa forma nos auxiliarem a problematizar a dimensão intensiva de nossos corpos-subjetividades. São nas práticas experimentais das artes do corpo – no caso desse trabalho, a dança contemporânea – que somos convocados a experimentar esse “atletismo afetivo” a que se referia Artaud ao tratar do trabalho do ator.

Jardel Silva

Caminhos

No entanto, os perigos do nosso caminho não se referem ao oculto que nos arrebata; mas ao evidente que nos satura. Pois há um clima de evidência, nessa nossa cultura da imagem. É seu modus operandi: evidenciar, abarrotando nosso entorno com cintilantes obviedades. E não há saída fácil das obviedades, uma vez que elas nos trazem tranqüilidade e alívio.

Jardel Silva

segunda-feira, 12 de março de 2012

Escuta pictografica

Se se escuta a pictografia, e como música, enquanto música, é antes de tudo por certa força de penetração. Da mesma forma que o som penetra o ouvido e o espírito, o ato pictográfico atinge e bombardeia, perfura, percute e faz entrar, atravessa (DERRIDA, 1998: 55).

domingo, 11 de março de 2012

Cordeiro de Deus

A não dizer a verdade

eu queria dizer um décimo daquilo que havia dito.

restringir os pronomes a sua função vulgar,

o alinhamento do céu,

Lamber o termo a ser ouvido,

atravancar travas,

despossuir saudades.

Ter me dito que estou repleto de amanhã,

que o hoje é uma parcela do amanhã.

Sendo hoje.

A falar bobinho...

Caminho entre vales e tulipas.

Sem notas ausentes. Sou filho da carne, homem do sangue e vento,

perdido entre símbolos (sentidos impróprios),

rindo abobado de um tempo de impulsionar,

a falar que navio é peixe, é peixe navio é

mergulhado no poder de torce palavra

de ver, lá no fundo, que já foi ocorrido

sem fiasco, pela mera apaziguação do tempo.

Tempos de Cronos, tempos de Abel.

Frida Kahlo é o poder de, sem, palavra,

ausente,

rebuscada na pele,

e(s)ntranha de si-come-de-novo, apistolada

famigerada da salvação em carne e osso,

com retículos

e tocos,

metálicos, virulentos, atrofiados

que golfam

saudades (adormecidas)

de uma meretriz de circo, sem palhaços.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Olha (e)le ai...

Penteio o vento com o tempo, o pentelho> exacerbersso a função lunar de MUCUCAVAR a fase introdutória (escutar relincho). E saber que é dia e que a alcova vem. Permeio neste liso desavergonhado a premissa do nascimento, e sei que o ceio solido, dói. Faço montinho de gente retido no branco (e falo pro ovo/ que é dele a função de nascer. Apego o beijo e passo na entranha. Suvaco dengoso de querer-me rir-por-dentro. Obedeço a todos os sorrisos, sei que são deles... Obtenho à criação, jogo no poço, alimpo o ocorrido e vou-mi dormi. Estando em verde, estando.